Por que não pregamos religião - Marcello Amorim

9/30/2014

“A religião é uma projeção humana e vende falsamente a ideia que apenas por meio de critérios comportamentais, seguindo os convencionalismos de uma era pode gerar alguma coisa entre Deus e o homem.”

Estou cada vez mais convicto, que Jesus criou o homem para ser uma entidade corporativa para contê-lo, expressá-lo e glorificá-lo e isso só aponta para um fenômeno: a igreja. Porque a igreja é o proposito eterno de Deus. Porém isso não significa que Jesus tenha criado uma religião, quem criou o catolicismo foi Constantino, quem criou o protestantismo foi Lutero.

O movimento da reforma é o resultado da profundidade que Calvino captou no coração de Lutero mas felizmente ela é um processo que se dá desde da igreja primitiva nas discussões de Paulo e Pedro, sempre deve ser essa tentativa de voltar ao propósito de sermos íntegros em relação a nossa fé segundo a disciplina do mestre. Ela parece ser uma novidade histórica por conta de Calvino, mas a reforma é na verdade uma realidade espiritual e um esforço contínuo, um constante movimento e todo discípulo autêntico faz parte disso.

Mas Jesus não criou nenhum ismo, na verdade o que ele deixou foi o evangelho, a boa notícia de que o Reino o governo de Deus se estabeleceu, o evangelho do Reino de Deus e essa precisa ser nossa medida.  Não me lembro de conhecer um Jesus pentecostal, arminiano nem calvinista, a teologia de Jesus está baseada na maior de todas as teologias e ela está descrita em João 3.16..."Deus amou ao mundo de tal maneira"...

O que ele chamou de igreja eram discípulos homens e mulheres que o imitavam e não um prédio, com instalações luxuosas, ou uma organização baseada na burocracia da fé mantida por relações de poder que contradizem marcos 10:35, Jesus não criou o clero.

A igreja é formada segundo Jesus por discípulos e não por uma casta sacerdotal de privilegiados ou por um sistema piramidal que reproduz o feudalismo medieval, discípulos são apenas aqueles que aceitam e praticam a disciplina de um mestre.

A grande questão é que a disciplina de Jesus não está baseada em exteriodades, rituais, superstições ou usos e costumes. Ele recomenda que sejamos sóbrios e diligentes em todas as coisas, sóbrios no agir e sóbrios no viver. É ele quem executa a separação entre joio e trigo, nenhum homem tem essa condição de determinar destinos, de impor falsos triunfos pois o único triunfo aplicado na palavra é da graça da misericórdia sobre o jugo.

Jesus aplica na prática que os frutos determinam se a natureza do homem foi tomada pela sua natureza por conta do processo de discipulado, do contestante aprendizado e esse fruto se resume em ações de graças, em atitudes de favores imerecido em relação ao próximo, esse fruto é o amor expresso na obra do Espírito trazendo constantemente luz as consciências, formando em nós sua própria semelhança, não pelo que se faz mas por aquilo que nos permitimos nos tornar. E isso é dom de Deus!

Por isso o pastor não é o chefe, guru, shamam ou um mágico. Ele é só um co-pastor de Cristo, alguém que ama o que Deus ama: gente. O pastor exerce uma função e não uma posição que é de colaborar com o processo de reconciliação do homem com Deus do qual Jesus por meio de sua vida e morte nos possibilitou.

A religião não ajuda nesse processo porque não é o papel dela, a religião é uma projeção humana e vende falsamente a ideia que apenas por meio de critérios comportamentais seguindo os convencionalismos de uma era pode gerar alguma coisa entre Deus e o homem.

A religião e suas estruturas de poder é o antagonismo de tudo o que Jesus ensinou. Por isso não pregamos uma religião mas anunciamos o evangelho do Reino de Deus, assim não formaremos religiosos mas autênticos discípulos de Jesus, governados por Deus.

 

Marcello Amorim

Pastor e Capelão Escolar

 

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