Histórias de superação em capelania escolar

3/2/2015

Mesmo tendo nascido em Cidade grande, qualquer um de nós pode descrever, ainda que superficialmente, o relato de qualquer pessoa do campo que, ao realizar o plantio de alguma cultura, espera pacientemente pela colheita.

Existem sementes que logo “vingam” e sendo regadas com as mais suaves gotículas de orvalho, se desenvolvem emergindo do solo, anunciando uma colheita farta, rápida e próspera.

Outras, no entanto, são mais lentas. Mas, o sábio e paciente agricultor, conhecedor da sua semente, esperará compassivo pelas primeiras folhagens ou ramos, as primeiras floradas para em seguida avistar os mais tenros brotos que avizinham a chegada da tão esperada messe.

Em analogia ao “campo” missionário, o Mestre Jesus relacionou em belíssimas figuras de linguagens, a vida missionária com a vida no campo. A exemplo da Capelania Escolar a “colheita” é semelhante, desta forma destaco alguns “frutos” da mais recente safra, a fim de que o coração do estimado leitor se alegre com o meu:

Conheci  “Suzana” em meados de 2012, quando fui à sua sala para conversar com outra aluna. Mas, como a outra havia faltado, a professora insistiu  que eu orientasse Suzana, porque em seus momentos de desafetos tornava-se iracunda e “soltava o verbo”.

Então, pedi à Suzana que me acompanhasse para que eu tentasse entender a razão de seus conflitos e buscasse uma solução conciliatória. Todavia, Suzana, mais parecia uma “erva daninha”, pronta para ser arrancada do que uma “boa semente”.

Perguntei-lhe se fazia leitura da Bíblia, a qual havia sido distribuída pela Capelania Escolar dias atrás e a resposta foi: “Não. Até dei para minha avó, porque não achei a menor graça”.

Fiz então uma objeção: “Você não achou graça porque você não está debaixo da Graça. Mas, quero lhe falar sobre Jesus”.  “Sou espírita, não preciso saber nada sobre Ele” – insistiu Suzana.

Lendo com Suzana a passagem em Isaías 8:19-20, percebi que algo novo havia surgido no olhar atencioso dela, e foi aí que ela, surpreendentemente perguntou: “A senhora ainda tem mais destas Bíblias para me dar?” Ao que lhe estendi a mão doando aquele exemplar.

Ao final da nossa conversa, Suzana chorou me abraçando constrangida perguntando: “Tia Capelã o que está acontecendo comigo? Eu estou me sentindo limpa…”

Outra comovente situação aconteceu de forma tanto quanto inesperada. Num desses momentos de intervalo no período matutino, fui abordada por um aluno afoito que me fez o seguinte relato: “Capelã, a senhora precisa fazer alguma coisa. Na minha sala tem uma menina que está ingerindo pequenas doses de medicação a todo o momento, porque pretende morrer. A senhora poderia conversar com ela? Mas, por favor, não diga que fui eu quem lhe disse!”

Imediatamente orei ao SENHOR pedindo forças e, especialmente, uma Palavra de exortação e consolo para aquela alma sedenta e fui ao encontro de “Aninha”.

Ela me expôs que havia brigado com seu namorado terminando um relacionamento que parecia duradouro. Sua tristeza estampada num rostinho pálido molhado pelas lágrimas denunciavam esmorecimento e desesperança. Ela mal conseguia levantar a cabeça. E sim, ela havia mesmo tomado algumas drágeas de medicação anti-hipertensiva, mas, não o suficiente para dopá-la.

Deus trabalha para aqueles que nEle confiam! Peguei sua mãozinha languida e segurei seus dedinhos, recitando como fazemos com as crianças: “DEUS – TRABALHA – PARA AQUELES – QUE NELE – CONFIAM – decore isto” (parafraseando Isaías 64:4).

Oramos e pedi à Coordenação que os familiares fossem avisados do ocorrido, para que Aninha pudesse ir para casa descansar…

Naqueles dias a vice-diretora reclamou que havia um aluno que estava “insuportável” em sala de aula, um verdadeiro terror. Tanto não prestava atenção nas aulas quanto atormentava os demais alunos, tirando o sossego dos professores.

Foi aí que conheci “Roberto”. Seus modos, comportamento e até o corte de cabelo, revelavam sua surreal rebeldia! Como diria a canção: “um capeta em forma de guri” (letra e música dos Incríveis).

Entrelacei meu braço no dele e saímos pelo pátio da escola conversando como quem vai passear. Queria ouvi-lo, mas antes, foi preciso demonstrar que eu o amava e que ele poderia confiar em mim. Roberto contou-me sobre suas amarguras em casa, seus conflitos e o relacionamento com uma mãe que o havia “trocado” por um padrasto ausente. Roberto afirmou que vivia em total isolamento em sua própria casa.

Conversamos bastante, oramos e lemos algumas passagens da Bíblia que expressam o Amor de Deus através da infinita misericórdia de Jesus Cristo. Daí em diante eu nunca mais ouvi o nome Roberto nos “noticiários” da sala dos professores…

Nossa próxima semente trata-se de uma aluna indicada pela coordenação da escola. Segundo afirmação de alguns professores, “Meire” estava à beira do suicídio. Não era segredo para ninguém que ela sofria sentimentos de abandono, baixa autoestima e para piorar, havia brigado com o namorado e suspeitava estar grávida.

Assim nos conhecemos!

Passamos um bom tempo conversando num canto do pátio da escola. Preferi conversar ao ar livre com Meire, assim como fiz com Roberto, para que o ar da manhã lhe fizesse bem e pudéssemos contemplar o sol enquanto conversávamos.

Por suas palavras compreendi que sua mãe, embora estivesse namorando, parecia ser uma pessoa preocupada com a filha e que, talvez tivesse se embaraçado com tanta rebeldia da Meire, que por sua vez, estava resistindo às mais recentes atitudes da mãe. Lemos Efésios 6:2 sobre o primeiro mandamento com promessa. Falamos sobre a vida em santidade e, particularmente, o namoro santo.

Aos poucos pude apreciar o sorriso emergindo das lágrimas daquela aconselhanda. Louvado seja DEUS! Pude perceber que sua respiração já não era mais ofegante, mas calma…

O seguinte caso foi marcante. Uma mãe foi à escola pedir à diretoria que alguém conversasse com sua filha, já que estava, supostamente, namorando outra moça, que por sua vez além de bem mais velha do que a aluna, ainda estava envolvida com drogas ilícitas.

Naquela manhã eu estava de plantão, logo, fui chamada para conversar com a mãe da tal aluna. Suas lágrimas, seus desenganos, seus erros e acertos, em quinze minutos ela expos. Seu desespero era legítimo. Não tão somente pela desorientação sexual da filha, mas pelos descaminhos no mundo das drogas que, inegavelmente, é preocupante em qualquer instância.

Não pude conversar naquele dia com a aluna, que aqui a chamamos de “Marta”, porque obviamente ela estava afastada da mãe, razão das suas frequentes ausências na escola. A situação era alarmante!

Na primeira oportunidade que tive, dias depois, consegui ter um momento em particular com a Marta. Descobri, segundo suas palavras, que ela havia sido rejeitada pelo pai ao nascer; que ela havia sido criada pelos avós maternos e que há pouco tempo a mãe, que havia contraído outro matrimônio e deste nascera dois filhos, estava tentando reunir a família, a fim de que todos morassem juntos.

Mas, Marta insistia que a melhor fuga era viver longe de onde todos a haviam desprezado. Assim, ela encontrou alívio nos braços de uma amiga.

Falei para Marta sobre o que Jesus faria se estivesse em seu lugar. Mas, não fui muito longe, para a glória de DEUS. Isto porque ela mesma havia encontrado na Bíblia razões suficientes para retornar para casa e viver uma vida plena com Cristo. Bíblia esta, que a Sociedade Bíblica do Brasil, generosamente, nos oferta anualmente…

Suzana hoje é a líder em sua sala de aula, um exemplo para todos que estudam ao seu lado, reconhecida pela coordenação da escola. Aninha agora é outra pessoa; ela me abordou não muito tempo depois da nossa conversa e recitou: “Deus trabalha para aqueles que nEle confiam”, ela creu em Jesus e em Suas Palavras. Roberto não foi promovido em suas notas, no entanto, até o seu corte de cabelo mudou. Quando me vê há em seu olhar uma admirável expressão de gratidão e respeito, e ele é outro surpreendente exemplo, tanto em casa como na escola. Meire também foi tão radicalmente transformada pelo SENHOR, que saiu da ociosidade. Ultimamente ela tem bordado sandálias de borracha e as expõe numa rede social através de lindas fotografias. Ela encontrou em sua mãe uma grande amiga e tem sido uma filha obediente e ama a vida.  E por último vem Marta, que sempre que me vê, me abraça agradecida porque ela, verdadeiramente, encontrou orientação no Mestre. Suas maneiras são outras. Se a mudança externa é manifesta, podemos afirmar que o autor da mudança interior é, inegavelmente, e sempre será o Mestre Jesus de Nazaré.

Louvemos ao SENHOR, por Suas misericordiosas Sementes, por Seu Santo “adubo” e pelas abundantes safras, que são tempestivas e agregam Suas benevolentes graças através da ação miraculosa do Espírito Santo em todo tempo.

“ O Espírito do Senhor JEOVÁ está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê ornamento por cinza, óleo de gozo por tristeza, veste de louvor por espírito angustiado, a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do SENHOR, para que ele seja glorificado” (Isaías 61:1-3)Para isto fomos chamados. Animem-se irmãos Capelães, mãos no arado e vamos em frente, nossa fé tem pressa!

Sou Elisabete PereiraCapelã Escolar pelas misericórdias de Deus nos campos de Anápolis, Goiás.(Os nomes apresentados neste artigo são fictícios para resguardar a identidade dos alunos).

 

Fonte:

http://espacodocapelao.org.br/site/?p=2084

 

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