Escola da vida para todos

7/30/2016

Essa semana a MPC com o projeto escola da vida esteve na UNISS (Unidade de Internação de Saída Sistemática). Estivemos em contato com os socioeducandos. Talvez na sua linguagem, menores infratores. Ou então, os "marginais e pebas" que classificamos como "bandido bom é bandido morto". 

 

Cara, confesso que de começo, fiquei tenso. O primeiro contato, primeiro olhar e vários julgamentos ao apertar a mão de alguns. "Será que esse matou alguém? Será que roubou uma senhora? Espancou algum conhecido e eu nem sei?". 

 

Levamos vários palestrantes, entre eles, juiz, polícia, psicanalista, pastor e professor. Todos eles com uma mesma mensagem final: "nosso diploma não nos define. Somos seres como vocês! Temos historias ruins também, mas vencemos tudo isso. Você também pode! Acredite, Deus tem um plano pra sua vida!". 

 

No meio da semana, meu preconceito foi embora. Joguei ping pong, fiz piada, abracei, e chorei. Sou parte da sociedade que acredita numa nova chance. Somos uma pequena parte que contribui para que a ressocialização aconteça. Todos eles tinham algo em comum enquanto falávamos: a vontade de viver. A vontade de acreditar que tudo aquilo era verdade. Auto estima, drogas, família, caráter e amor. Tudo isso foi injetado gentilmente em seus corações. Talvez de quase 90 internos que ouviram, 1, 10 ou 30 decidirão viver diferente. Talvez você esbarre um dia com algum deles em seu serviço, sem nem imaginar que aquele trabalhador, pai de família já foi "preso". E hoje é um cidadão honesto, pois um dia alguém acreditou nele.

 

Antes de escrever tudo isso, imaginei algumas indagações, como: "e se um moleque desse matar sua mãe? Ta falando isso porque não aconteceu com você". 

Não. Não aconteceu. E espero que não aconteça. E é por isso que demos nosso melhor pra que eles acreditem que há um caminho diferente a trilhar.

 

Pra terminar, nossa ultima atividade foi convocar os pais e responsáveis pra conversar. Eu não sou pai, mas QUASE senti por um segundo a dor  que tomou conta daquela sala. Que pai deseja visitar um filho numa prisão? Que mãe sonhou parir um filho pra vê-lo abandoná-la num camburão?

Talvez tenham culpa também, mas são seus filhos. Choramos juntos ali. Mas fomos embora, eles ainda dormirão com um vazio no quarto ao lado. 

 

Não tô com dó de vagabundo, porque não tenho dó de mim.

Apenas amo, pois Ele me amou primeiro. 

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Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem a vida eterna em si mesmo. Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. 

1 João 3:15-16

 

Lembrem-se dos que estão na prisão, como se aprisionados com eles; dos que estão sendo maltratados, como se vocês mesmos estivessem sendo maltratados. 

Hebreus 13:2

 

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November 26, 2018

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