A maneira como eu me vejo

10/6/2017

 

O CAOS

 

Será que existe realidade? Se existe, é com base no olhar de quem?

Já ouvi muitas coisas a meu respeito. Coisas boas, coisas ruins, algumas com sentido, outras nem tanto. Umas vindas da convivência, outras de um simples olhar. Já chorei por muitas dessas coisas. Já detestei gente por boa parte delas. Já me desculpei por ser quem eu era, mas também me desculpei por não ser a pessoa que inventaram. Já desmenti boatos que ouvi a meu respeito, sem nem saber se já haviam sido espalhados por aí – e, no fim das contas, quem espalhou fui eu. Já passei noites sem dormir ao tomar conhecimento do que pensavam sobre mim. 

 

Eu me senti inútil, um lixo. Tentei me convencer disso. Tentei convencer as pessoas disso. Tentei convencer o próprio Deus. Afinal, dentre tantas opiniões, quem de fato está falando a verdade? Se quem eu sou se revela na minha convivência com o próximo, ele, ao falar sobre mim, tem mais razão do que eu. Certo? Errado? Quem sabe! Na cabeça abarrotada já não cabem mais opiniões. Chegou a hora de decidir: quem eu devo ser? Aliás... quem eu sou mesmo?

 

RECONHECENDO OS PRÓPRIOS LIMITES

 

Acho que não sou a melhor pessoa para responder essa pergunta. Logo eu, que me desfiz e me refiz, tentando caber nos lugares e corações por aí. A essa altura do campeonato, a gente sente a necessidade de olhar para Deus e saber o que Ele diz. Opiniões, circunstâncias e situações adversas nunca poderão, por si, definir quem somos. Só somos convencidos a abraçar uma visão distorcida de nós mesmos quando nos esquecemos da nossa identidade. Identidade de filhos.

 

RECONHECENDO QUEM SOMOS

 

Olhar para a cruz de Cristo pode trazer sentimentos de dor e frustração – pois revela a nossa miséria – e, ao mesmo tempo, de amor e redenção. Da mesma forma, lembrar de que Deus sabe que somos pó (Sl 103:14) pode trazer amargura e sentimento de inutilidade, mas, em poucos instantes, um sentimento intenso e profundo de gratidão eterna, porque, mesmo sendo pó, Ele nos tomou como filhos, para nos dar uma identidade semelhante à d’Ele. O que tem isso a ver com a opinião alheia? É que ninguém, por mais admirável que seja, se torna bom o bastante para desdenhar quem nós somos.

 

Se o próprio Cristo, que mácula nenhuma apresentou, não zomba de nós, que homem poderia fazê-lo? Se Ele, que possui a identidade mais invejável que já existiu, não nos reduziu à nossa miséria, falibilidade, fraqueza e pecaminosidade, quem seria o homem para nos reduzir a isso? Que legitimidade essas opiniões têm? Nenhuma, pois Cristo tem forjado em nós, dia após dia, a Sua própria identidade. E nenhuma identidade que nos é imposta, por quem quer que seja, poderá ofuscar essa realidade.

 

 

 

 

 

Raquel Lourenço, 21 anos Psicóloga em formação, brasiliense com um pé na Bahia. Amante das artes, casada com a música e dançando com a vida. Eternamente apaixonada pelo Eterno e pela Eternidade.

 

 

 

 

 

 

 

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