Essa gente

5/14/2018

 

 

 

 

 

Uma das coisas mais curiosas e contraditórias (porém não incomuns) que pode acontecer com uma pessoa que cresceu em um lar dito “cristão” é conhecer a Bíblia como ninguém, porém não a ter suficientemente arraigada em sua vida. Vomitar versículos e utilizá-los para analisar a vida de terceiros é uma prática comum para essa gente. E, quando, em um momento de crise, esses versículos são vomitados contra ela, a resposta é: “eu já sei disso!” A pergunta é: até que ponto saber é o suficiente?

 

Quando estudamos matemática, são-nos ensinados fórmulas e cálculos sem fim. Do teorema de Tales ao de Pitágoras, nada faz sentido até que passemos a calculá-los. Entretanto, é comum que as pessoas não se importem em entender como o matemático chegou àquela fórmula. Decorar a fórmula torna-se infinitamente mais importante do que compreendê-la.

 

É esse o pensamento que sucintamente se instala dentro de nós quando queremos ler a Bíblia inúmeras vezes sem que nosso coração esteja inclinado a viver cada vírgula que lemos e decoramos. Isso não acontece de forma explícita. É um engano que nos cerca sem que percebamos. Sabemos tudo sobre o amor, a paz, a fé... sobre Deus. Mas não quer dizer que os compreendamos ou que os vivamos. Quando há o confronto real entre as mentiras do mundo e as verdades de Cristo, vemo-nos encurralados, atônitos, e não sabemos o que fazer. Em algum momento, nós nos perdemos. Em algum ponto da vida, deixamos o propósito de lado. Não é sobre o quanto sabemos. É sobre quanto isso é real em nós.

 

Não é o fim do mundo ter se perdido assim. Uma hora, a ficha cai. O próprio Deus, em sua infinita bondade, traz-nos à margem do mar de conhecimento, arrogância e altivez que nos submergiu, mostrando que, no fim das contas, nada sabemos. É nesse momento que Ele nos faz retornar ao princípio, aos preceitos mais antigos, que, em nossa pompa de conhecedores da Palavra, nós sufocamos. Preceitos que, por mais elementares que sejam, não vivemos ainda.

 

Preceitos que, constantemente, permanecem como centro das grandes pregações e de ensinos bíblicos, e nós nos queixamos sobre o porquê de os pastores, líderes e grandes pregadores nunca “trocarem a fita”. Nós nos aprofundamos nas grandes questões teológicas que podem nos render boas discussões, mas nos esquecemos daquilo que é primordial. Buscar conhecimento nunca é demais, porém, como escreveu Paulo: “Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria” (1 Coríntios 8:2).

 

Quando disse, no começo deste texto, sobre “essa gente” que cresceu num lar cristão e não sabe nada de Cristo, estava me referindo a mim. Esse julgar saber e não buscar conhecer fez parte da minha vida por muitos anos. Fez-me esquecer de viver o que havia aprendido. Hoje me vejo confrontada, diante da Palavra de Deus, a viver as verdades que aprendi lá no início, mas que ainda não são realidade em mim. E só se poderão tornar realidade através de um profundo e genuíno relacionamento com Ele. Hoje me vejo confrontada a entender que, antes de buscar qualquer conhecimento, devo buscar o mais importante: “Então, conheceremos, se prosseguirmos em conhecer o Senhor” (Oséias 6:3a).

 

 

 

 

 

 

Raquel Lourenço, 21 anos Psicóloga em formação, brasiliense com um pé na Bahia. Amante das artes, casada com a música e dançando com a vida. Eternamente apaixonada pelo Eterno e pela Eternidade.

 

 

 

 

 

 

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November 26, 2018

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