Setembro amarelo o ano inteiro

9/26/2018

 

 

Pessoas de várias cidades estavam ali pra ver o mestre. Uma multidão curiosa pra saber quem era aquele que curava e fazia grandes milagres. Cotoveladas, empurrões e várias mãos tentando tietar O cara. De repente, um toque em especial. Ele sabia que era diferente. Não era um fã, era de alguém que verdadeiramente necessitava de sua atenção. Imagino Jesus olhando para aquela mulher com muito amor e dizendo: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz!”. Imagina  a doçura do olhar de Cristo, com seu discernimento em saber o que aquela mulher necessitava. Mesmo em meio a multidão, mesmo com várias distrações, Ele sabia que precisava parar tudo pra dar uma atenção especial.

 

Talvez essa seja a característica de Jesus que urgentemente necessitamos. Somos ótimos em promover eventos, juntar multidões, mas nossa sensibilidade em discernir quem precisa de uma atenção especial é vencida pelas distrações.

 

Estamos na campanha do setembro amarelo, o mês de prevenção ao suicídio e infelizmente, poucas igrejas (pessoas) tem se mobilizado a fazer algo a respeito. O Escola Da Vida vive o setembro amarelo o ano todo. A cada colégio, várias demandas parecidas e adolescentes querendo colocar um fim em sua existência. Saber que 90% dos casos de suicídios poderiam ser evitados, consequentemente gera em nós um senso de responsabilidade pelo que fazemos. E esse é o maior convite do evangelho. Estarmos disponíveis uns pelos outros. Amarmos incondicionalmente.

 

Como psicólogo, tenho percebido que muitos não sabem o que fazer ou como agir com alguém que luta contra a depressão, e/ou tem pensamentos suicidas. E minha resposta é: Esteja. Seja. Veja. Ouça. Abrace. Ame. Não se preocupe em apresentar a fórmula certa pra que a pessoa se cure. Já percebeu? Pra tudo queremos processos e respostas rápidas. Não sabemos lidar com o sofrimento e por isso, queremos soluções, receitas prontas para o alívio instantâneo da dor. E de repente, o melhor que você pode fazer é ouvir sem ter um conselho pronta na ponta da língua. Chorar com os que choram. Tirar da cama quem sofre para uma caminhada no parque. Alguns minutos de endorfina através das histórias engraçadas que já passaram juntos e a celebração da amizade e a existência de ambos.

 

Precisamos reaprender a viver. Não somos máquinas, nem marionetes. A nossa pior doença não é a depressão ou o câncer. É a falta de humanidade. Jesus não veio como homem à toa. Ele veio nos ensinar que o tempero especial de sermos imagem e semelhança do Pai, é que além de filhos, somos irmãos uns dos outros.

 

 

Sabino Cordeiro Dourado Junior

Psicólogo de formação, palestrante por puro prazer na vocação, missionário por ostentação, e pseudo escritor nos momentos mais imprevistos. Casado com sua namorada Mariana Soares e ansioso pra trocar fraldas de seus futuros filhos.

 

Please reload

November 26, 2018

Please reload

POSTS RECENTES